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Setembro é o Mês de Prevenção ao Suicídio: “Cuidar da saúde emocional é fundamental”, diz psicóloga

Rafaela Mattos visitou a redação do Nova News para falar sobre o tema

Em setembro, período considerado o mês de prevenção ao suicídio (Setembro Amarelo), o Nova News abordará o tema de forma a levar a sociedade e refletir sobre a questão, já que vários casos têm ocorrido em Nova Andradina e região.

Somente no mês anterior, agosto, foram registrados dois casos consumados e uma tentativa em Nova Andradina e mais um caso consumado em Taquarussu. A ‘onda de suicídios’ ascendeu um alerta sobre a questão.

Na manhã desta segunda-feira (02), o Nova News recebeu a psicóloga Rafaela Mattos da Silva (CRP 14/00108-3) para falar sobre o tema. Questionada sobre o que leva uma pessoa a se matar, a profissional explicou que uma pessoa quando pensa em suicídio deseja primeiramente tirar de dentro de si a dor que está vivendo, não necessariamente sua vida.

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Psicóloga Rafaela Mattos falou sobre a importância da saúde emocional - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Saúde emocional

“Uma dor insuportável, desesperadora invade todo o seu ser em seu processo de adoecimento e a pessoa não vê outra saída. Inúmeros fatores aumentam o risco de uma pessoa cometer suicídio, o principal deles é a depressão, mas há também o transtorno bipolar, uso abusivo de substâncias químicas, experiências traumáticas durante a infância, além de conflitos familiares e sociais, entre outros”, explica.

Segundo Rafaela, é importante ficar atento aos sinais de alerta. “Diminuição do autocuidado, isolamento, mudança repentina de humor, abuso de substâncias químicas e manifestações autodestrutivas, como a automutilação são alguns deles. É importante destacar que não há um elemento que defina se uma pessoa irá ou não cometer suicídio. Como eu já disse, os fatores são diversos. Um rompimento amoroso ou a perda do emprego podem também merecer atenção. Talvez a pessoa já esteja com uma série de dores emocionais e um acontecimento destes acaba pesando ainda mais na balança”.

Na avaliação da psicóloga, é importante que cada pessoa saiba trabalhar suas emoções e também como lidar com elas. “O autoconhecimento é o melhor caminho para aprender a lidar com as emoções. Buscar conhecer o sentido da vida, o que traz realizações pessoais, as inquietações e incômodos internos para que o indivíduo não se torne a chamada ‘esponja emocional’, absorvendo e sofrendo com os estímulos negativos que vêm de fora”, pontua.

Rafaela cita também a importância em se desenvolver vínculos seguros, ou seja, relações mais saudáveis no sentido emocional, que proporcionem segurança e aumentem a capacidade na resolução dos problemas. “Quem tem vínculos seguros com a família, por exemplo, sente que não está só, pois sabe que tem mais pessoas com quem pode dividir suas frustrações e pode contar com o suporte destas pessoas na hora que surgirem problemas”, afirma.

O suicídio e a mídia 

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Rafaela defende que a questão do suicídio deve ser tradada com responsabilidade pela mídia - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

O Nova News perguntou à psicóloga sua opinião com relação ao fato de a imprensa noticiar o suicídio. Segundo ela, tudo deve ser feito de forma muito responsável, sem exposição desnecessária da vítima e de seus familiares. “Mais importante do que noticiar o suicídio em si - dizer como foi e fornecer detalhes - é usar a reportagem para divulgar canais de ajuda e conscientizar as pessoas sobre a importância do tema. Só dar a notícia, sem usar aquele espaço no sentido preventivo não acrescenta em nada à sociedade e pode até mesmo incentivar novos casos”, alerta.

“Falar sobre suicídio é romper tabus, é informar as pessoas sobre prevenção, é dar nome ao sofrimento. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o suicídio como prioridade em saúde pública e apresenta dados alarmantes sobre o assunto. Em minha opinião uma das maiores formas de prevenção ao suicídio é cuidando dos relacionamentos desde a infância. Evitando com que sentimentos sejam negados, reprimidos ou menosprezados”.

Na avaliação de Rafaela, os cuidados devem ocorrer desde a infância. “Falas do tipo: ‘caiu, não foi nada’, ‘engole esse choro’, ‘não fica triste’ ou ainda ‘vai chorar só por causa isso’, acabam ensinando a criança a menosprezar o que está sentindo, fator que não ajuda a lidar com as emoções e sentimentos internos, assim, a criança não desenvolve resiliência, ou seja, a capacidade de lidar com as dificuldades e frustrações ao longo da vida e sente-se desamparada. É como se ela tivesse que resolver sozinha seus problemas e têm dificuldade em receber ajuda quando adulta”, diz.

Ainda em suas palavras, a neurociência já provou que existe diferença na formação do cérebro de uma criança criada com afeto daquelas que sofreram negligências. “A tristeza e o sofrimento não podem ser negados. Quando negados, sufocam e se tornam sintomas físicos/emocionais. Falar sobre suicídio é olhar para emoções negadas e que foram julgadas por alguém e por si mesmo ao longo do tempo”, explica.

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Profissional afirma que recorrer um psicólogo é a melhor maneira de se tratar a vida emocional - Imagem: Acácio Gomes / Nova News

Onde buscar ajuda

Rafela Mattos afirma que o tema suicídio nos convida a aprimorar nossa comunicação saindo dos eletrônicos, do isolamento social e nos relacionarmos. “A maior maneira de agir contra o suicídio é ouvir sem julgamento a dor do outro, oferecendo ajuda e presença. Isso envolve toda a sociedade”, diz.

Em suas palavras, o apoio da família e amigos de confiança é uma grande ajuda que qualquer pessoa pode receber. Ela destaca também ser fundamental o acompanhamento psicológico e médico. “Compartilhar a dor não é sinal de fraqueza e sim um ato de muita coragem”.

A psicóloga lembra ainda que existe o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio gratuito através do número 188 ou do site www.cvv.org.br, nele é possível conversar em total sigilo.

Psicologia, a grande aliada

Ela aproveitou a oportunidade para divulgar a página ‘Psicólogos Nova Andradina’ no Facebook, onde 13 profissionais da cidade compartilham informações e opiniões sobre diversos assuntos dentro o universo da Psicologia. Rafaela Mattos é idealizadora também do projeto ‘Afeto e Ação’, que, de forma gratuita, busca realizar ações sociais gratuitas para falar sobre a saúde emocional com diversos tipos de públicos.

“Nossa intenção é desmistificar a Psicologia, fazendo com que todos compreendam que o nosso papel é ajudar. Muitas pessoas cuidam da saúde física, mas deixam a saúde emocional de lado e isso não é nada bom. O profissional psicólogo existe para tratar as emoções, os sentimentos e afirmo que uma vida emocional saudável é a raiz para que vida seja mais valorizada”, finaliza.

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