Publicado em 24/01/2019 às 16:12, Atualizado em 24/01/2019 às 19:19

"Simone, Renan e a presidência do Senado", por Elizeu Gonçalves Muchon

Elizeu Gonçalves Muchon,
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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Mato Grosso do Sul tem dois Ministros importantes no Governo Bolsonaro. Tereza Cristina na Agricultura e Luiz Mandetta na Saúde. O Estado ganha novo protagonismo com a possível candidatura da Senadora Simone Tebet a presidência do Senado, cargo que ocupa o terceiro lugar na linha sucessória do Presidente da República.

Nunca a disputa pela presidência do Senado teve tantos pré-candidatos. No caso específico de Simone, ela tem algumas barreiras. Uma delas tem nome: Renan Calheiros, que quer presidir a casa pela quinta vez. O MDB tem doze Senadores e deverá promover uma disputa interna para saber quem vai adiante, Simone ou Renan. Renan enfrenta 16 denúncias do Ministério Público. Já Simone também está encrencada, pois em 2018 enfrentou processo de improbidade administrativa e até bloqueio de bens por suposto desvio de dinheiro público na obra de revitalização do Balneário Municipal de Três Lagos, fato acontecido, de acordo com o MP, no período em que ela era Prefeita da Cidade.

Todavia, o sobrenome Tebet, é altamente respeitado no Senado Federal, já que o Falecido Senador Remez Tebet (pai de Simone), presidiu a casa em 2001/2002. Ramez foi um político de inequívoco caráter. Exerceu grande influência na política nacional e ganhou o respeito da classe política e da população. Isso, evidentemente conta a favor de Simone, mas alguns Senadores tem um pé atrás depois de Simone registrar candidatura ao Governo de Mato Grosso do Sul e sem muitas explicações desistir, demonstrando fraqueza. Um Senador chegou a dizer na imprensa, uma velha frase que diz: “pernas tremidas, batalha perdida”.

Por outro lado, mesmo que Simone vença a disputa interna no MDB, terá pela frente uma disputa dura. Por exemplo: o Ministro da Casa Civil OnyxLorenzoni tem atuado para viabilizar o nome de Davi Alcolumbre do DEM-AP, não obstante o Governo, oficialmente diz que não vai interferir. Por esta razão o também pré-candidato, Senador Major Olímpio PSL-SP, mandou recado dizendo que o governo tem que ser governo e deixar os assuntos da Câmara e do Senado para os parlamentares, sobretudo porque o Bolsonaro disse que não vai interferir na disputa. Esse comportamento de Onyx mostra desarticulação do Planalto sobre essa eleição, pois o Ministro imprimi as digitais do Planalto e acaba fortalecendo outros grupos, porque, por razões óbvias o sucesso de Alcolumbreseria algo perto de um milagre, mas atrapalha Simone.

Penso que a candidatura de Simone está em ascensão em detrimento a Renan, mas é obvio que vai enfrentar uma oposição contumaz. Caso ela consiga ser eleita, (o que eu acho muito difícil), embora tenho muita simpatia por essa possibilidade, será ótimo para nosso Estado ter dois Ministros e a Presidente do Senado. Em um eventual contexto em que tanta gente do MS estejam ocupando altos cargos, caberá ao Governador Reinaldo ter a habilidade política para aproveitar esse momento e canalizar verbas federais, especialmente relacionado com infraestrutura, ferrovias, rodovias, portos e toda a logística necessário para atender as demandas empresarias do MS.

A opinião da maioria da população é de que tanto na Câmara, como no Senado, o presidente seja alguém limpo, sem processos na Justiça, mas aí é falar de corda em casa de enforcado. Sonhar eu também sonho, mas poucos deles se realizam. O certo mesmo é que não se faz política sem vítimas, como profetizou Tancredo Neves, infelizmente a vítima, via de regra é a população.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com