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“Só falta um pau de fósforo em chama”, por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Se a fogueira do inferno ainda não está acessa, não falta (ou faltará) alguém com uns gravetos e um pau de fósforo em chama.

É mais ou menos esse o clima de relacionamento entre os três poderes da República do Brasil. Não bastasse, o Ministério Público, que quer ser (o quarto poder), entra em rota de colisão com o STF, espalhando um barril de pólvora pelos porões dos palácios em Brasília.

Tenho ainda, muita esperança que o Presidente Bolsonaro possa fazer um bom governo. Eu tenho esperança, mas o Olavo de Carvalho, guru intelectual e conselheiro do presidente parece não ter.

Olavo disse outro dia: O Presidente está de mãos amarradas. [ ...] Se tudo continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal, é só continuar assim mais seis meses e acabou (o governo).

Em que pese o ex-Presidente Michel Temer responder por dez processos, com fortes indícios de culpabilidade, em que pese, igualmente o curto período de seu governo, é preciso reconhecer que no campo da política, do diálogo e razoabilidade, ele deu um show no atual presidente, que até o momento não consegue estabelecer um critério para governar.

Não há governança, não há coerência entre o que foi vendido de esperança ao cidadão e a crueldade, por exemplo no texto da reforma da previdência. O texto apresentado por Temer tem maior coerência e tramitava com abertura de diálogo.

Bater de frente com o Congresso é o mesmo que cutucar o diabo com vara curta. Outros Presidente já experimentaram dessa ira.

Exemplo disso, foi a derrota acachapante do governo, na quarta 27, quando Maia colocou uma pauta bomba em votação, (que estava engavetada há muito tempo), e os deputados aprovaram a PEC que tira do Poder Executivo autonomia sobre o Orçamento. Foram 453 votos pela aprovação e 04 contra.

O Dep. Alessandro Molon, líder do bloco de oposição chegou a ironizar os desacertos de Bolsonaro com os partidos de tendências governistas. “Não precisa de oposição, eles estão se matando entre si”.

Infelizmente, o governo tentou vender uma mensagem de que basta uma reforma da previdência para que o Brasil resolva todos os seus problemas. Por esta razão, se reúne com empresário, os quais, obviamente querer a reforma, mas não se reúne com trabalhadores, nem com o congresso. Ajustes na previdência são necessários, ajustes, mas não a crueldade que se pretendem.

É fundamental ressaltar que qualquer adolescente bem informado, quiçá o resto da população, sabe que no presidencialismo de coalisão brasileiro, o Legislativo, se unido, tem mais força que o Executivo.

Portanto, é inútil ficar em busca de saber por que melancia nasce em ramos tão delgados, e a pequena jabuticaba, em tronco tão grosso. Ou seja, é difícil colocar em prática um programa de governo se não existe o tal programa.

A falta do debate na campanha eleitoral levou a resultados que podem não dar certo se urgentemente nosso Presidente não tomar as rédeas da situação.

Aqui mesmo nesse espaço, (25/07/17) escrevi texto com a manchete “Preste atenção no vice”, alertei para o fato de que, oito dos 35 presidentes que o Brasil teve ao longo de sua história republicana foram vices que assumiram o cargo. Não estou sugerindo que Bolsonaro cairá, claro que não, mas como negritei acima, Olavo de Carvalho e outros conselheiros de primeira hora do Presidente alertam para essa possibilidade, o que seria muito ruim para o Brasil.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista.

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