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“Triste futuro para idosos pobres,” por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Para aprovar a Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o Governo botou a mão no bolso e liberou 2 bilhões de reais em emendadas parlamentares na primeira votação e 3 bilhões na segunda.

Aprovada na Câmara, agora é vez do o Senado votar e jogar a última pá de cal na desgraça alheia. Mas não pensem que será de graça. O Governo vai ter que atender a extensa lista de pedidos dos Senadores. Ainda assim, o Senado não irá apenas carimbar o que foi aprovado na Câmara.

O Presidente Bolsonaro já mostrou que não tem o menor prurido em usar os cofres públicos para garantir apoio político. De ordem, que o procedimento será o mesmo no Senado. Às favas o povo. Este terá que conviver com um sistema de aposentadoria cruel, especialmente para quem está próximo a se aposentar, tendo que cumprir uma regra de transição tão hostil quanto cruzar o deserto no pelo de um camelo.

Sobre as calamidades cometidas nesta reforma, o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, Eduardo Fagnani, deixou no ar a seguinte pergunta: “ Se o objetivo era combater privilégios, por que não ter priorizado a Reforma Tributária, taxando a renda e o patrimônio das camadas mais ricas”?

Os mais ricos, tem 70% de sua renda isenta de tributação e pagam alíquota de 6% de imposto de Renda, enquanto que o servidor chega a pagar 27%.

Aprofundando a análise sobre o assunto, o absurdo é majorado quando defensores da Reforma da Previdência, estabeleceram que quem ganha acima de 2.231,00 é considerado RICO. Um parâmetro vergonhoso que subestima a inteligência do povo brasileiro.

Entretanto, o passivo povo brasileiro aceitou calmamente, facilitando a vida dos congressistas e do Governo em detrimento do sofrimento coletivo.

É mister destacar, portanto, que a reforma reformou o que não precisa e não reformou o que precisava. O erro deu-se por falta de debate qualificado, com técnicos isentos sem interesses partidários.

Portando digo, pode anotar aí, o Brasil que é um país com grande desigualdade social, vai piorar a desigualdade ao bulir na distribuição da seguridade social. É, praticamente o fim da proteção social. O reflexo virá em dez anos, talvez nem isso. Eu até cheguei a imaginar que o Congresso renovado e um Presidente eleito democraticamente, vindo dos porões do baixo clero da Câmara, pudesse governar com o espírito de mais Brasil e menos Brasília, como ele mesmo alardeou. Por óbvio, imaginei, mas não acreditava por convicção e não por pusilaminidade. Não deu outra, a primeira das reformas arrancou o coro dos pobres, vamos ver se o Congresso e o Governo tem a mesma bravura para peitar os empresários na reforma tributária.

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

elizeumuchon@hotmail.com

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