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UNESCO: Cerca de 40% da população mundial não recebe educação em sua língua nativa

Estudo recomenda que crianças tenham ao menos seis anos de educação no seu idioma nativo para evitar prejuízos ao aprendizado.

Desafio é mais frequente em sociedades multiétnicas, refletindo questões de desigualdade social e cultural.

A UNESCO lançou no mês de fevereiro o relatório mundial de monitoramento da educação "Se você não entende, como pode aprender?". Segundo o documento, 40% da população no mundo não recebe educação em sua língua nativa.

Por se relacionar a questões amplas de identidade étnica, desigualdade social e cultural, em sociedades multiétnicas, a imposição de uma língua dominante por meio do sistema escolar tem sido fonte frequente de reivindicações por mudanças. O estudo foi lançado no dia 21 de fevereiro, quando é marcado o Dia Internacional da Língua Materna.

No documento, a UNESCO recomenda que, para reduzir gargalos no aprendizado, as crianças tenham ao menos seis anos de instrução em sua língua materna.

O desafio é maior em regiões de grande diversidade linguística, como a África Subsaariana, a Ásia e o Pacífico.

Países da América Latina como a Colômbia, Guiana, Paraguai e Peru, apresentam casos de reformas para melhorar o aprendizado em grupos etnolinguísticos minoritários.

"Com a nova agenda de educação global, que prioriza qualidade, igualdade e aprendizagem ao longo da vida para todos, é essencial estimular o respeito pleno pelo uso da língua materna no ensino e na aprendizagem, assim como promover a diversidade linguística", afirmou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova.

Por outro lado, o estudo ressalta que o aprendizado melhora em países que investem em programas bilíngues de ensino.

Na Guatemala, os alunos de colégios que reproduzem esse sistema apresentam menores taxas de reprovação e abandono das aulas.

No entanto, para a educação bilíngue ser bem-sucedida, o material escolar deve ser inclusivo, compreendendo as dificuldades das crianças.

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