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"Velha e nova política", por Elizeu Gonçalves Muchon

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Elizeu Gonçalves Muchon - Foto: Divulgação

Existe mesmo essa tal de “Velha e Nova” Política? Primeiro é necessário saber o que é “Política” e suas variáveis como arte ou ciência da governança de um Estado ou nação.

Em tese, a velha política é a política dos coronéis, dos caciques. É a política concentrada e com ausência de “povo”. Por outro lado, a nova política é a política do empoderamento do cidadão. É quando o cidadão, pelos meios democráticos pode escolher e até punir aquele que não correspondeu com o pacto de representatividade.

A expressão “nova política” usada há muito tempo no Brasil, ganhou notoriedade desde que Marina Silva “cunhou” em seu programa de governo, para balizar suas propostas. De lá para cá virou moda. Não só moda, mas Market.

A propósito do enfrentamento entre a chamada nova e velha política, o que se viu na disputa pela Presidência do Sanado Federal, foi um espetáculo deprimente, onde, sequer o Regimento Interno da Casa foi, ou quase foi atropelado. (Quando não se concorda com o regimento, é necessário muda-lo, enquanto não se muda, deve-se respeitá-lo). A boa notícia é que Renan não conseguiu viabilizar sua eleição.

Ganhou a “nova política”, entretanto, com a vitória de Davi Alcolumbre, membros do Governo Bolsonaro, de forma “pragmática”, já decidiram agir para tentar diminuir as sequelas da votação conturbada. Portanto, quando se fala de uma ação “pragmática” por parte do Governo, começa a ser misturado um ingrediente extra para amansar Renan, e neste caso o ingrediente novo azeda o discurso de “nova” política. Mesmo porque, Renan poderá se juntar a oposição e dificultar muito a vida do Governo no Senado Federal, por esta razão querem amansá-lo, sabe-se lá a que custo.

O Dep. Ulysses Guimarães, com uma trajetória única na história política do Brasil, eleito 11 vezes para Câmara Federal, morto aos 76 anos em acidente aéreo, era um senhor, exerceu muitos mandatos e sempre praticou o que hoje se chama de “nova política”, portanto, o novo, ou a renovação está na atitude do político, no comprometimento com o cidadão. Dizia Ulysses: “Não se pode fazer política com o fígado, conservando o rancor e ressentimento na geladeira”. Desta forma, o que se espera é que os novos senadores eleitos com o discurso de nova política, se inspirem em um velho política, Ulysses Guimarães para colocar em prática seus discursos. Digo isso, porque a primeira sessão do Senado com dois terços de novos Senadores, o que vi foi um empobrecimento dos discursos, uma confusão generalizada e uma descaracterização do Senado, que deve ter feito Rui Barbosa se retorcer em seu túmulo.

O que temos pela frente é a lógica econômica de Paulo Guedes. Uma lógica mais que neoliberal e no meio dessas reformas, o povo (classe média, pobres e miseráveis), que já não aguanta mais pagar as contas. Vamos ver como será a tal reforma da previdência. Sobretudo, como vão se comportar os parlamentares que dizem representar a nova política. Vão defender os direitos do cidadão, ou vão surfar na lógica econômica de Paulo Guedes, desencadeando um efeito cascata para atender os interesses do Governo, sem olhar o cidadão sofrido, sem ouvir a voz rouco dasruas, como dizia o velho Ulysses?

Elizeu Gonçalves Muchon – Professor e Jornalista

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